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Entrevista com o Dr. Valentim Gentil Filho, Médico e professor de Psiquiatria da USP

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Conhecendo o inimigo
No passado, o transtorno bipolar era conhecido pelo nome de psicose maníaco-depressiva, uma doença psiquiátrica caracterizada por alternância de fases de depressão e de hiperexcitabilidade. Nesta fase, a pessoa apresenta modificações na forma de pensar, agir e sentir e vive num ritmo acelerado, assumindo comportamentos extravagantes como sair comprando compulsivamente tudo o que vê pela frente. Sabe-se que os transtornos bipolares estão associados a algumas alterações funcionais do cérebro que possui áreas fundamentais para o processamento de emoções, motivação e recompensas. É o caso do lobo pré-frontal e da amígdala, uma estrutura central que possibilita o reconhecimento das expressões fisionômicas e das tonalidades da voz. Junto dela, está o hipocampo que é de vital importância para a memória. A proximidade dessas duas áreas explica por que não se perdem as lembranças de grande conteúdo emocional. Por isso, jamais nos esquecemos de acontecimentos que marcaram nossas vidas, como o dia do casamento, do nascimento dos filhos ou do lugar onde estávamos quando o Brasil ganhou o campeonato mundial de futebol.Outro componente envolvido com os transtornos bipolares é a produção de serotonina no tronco-cerebral (o cérebro arcaico), uma substância imprescindível para o funcionamento harmonioso do cérebro.

Fatores genéticos e ambientais
Drauzio – Filhos de pessoas com transtorno bipolar apresentam possibilidade maior de desenvolver essa patologia?
Valentim – Sabe-se, desde a Antiguidade, que a existência de um caso de transtorno bipolar numa família aumenta a possibilidade de que a enfermidade se manifeste em outros membros da mesma família. O desenvolvimento da genética permitiu analisar grande número de gêmeos nos quais a patologia torna-se mais evidente. Gêmeos idênticos ou monozigóticos possuem genoma absolutamente igual, mas apenas em 80% dos casos os dois irmãos apresentam quadros de euforia e depressão. Embora a porcentagem seja elevada, 20% não manifestam o problema. Cabe perguntar, então, se fatores extragenéticos interferem nesse resultado. Sim e não. Uma vez que ninguém expressa seu genoma completamente, pode-se deduzir que, apesar da carga genética idêntica, só num dos gêmeos ela encontrou as condições necessárias para o desenvolvimento da patologia que certamente depende da interação de tais fatores com o ambiente. Não se pode deixar de considerar também que, além da predisposição e vulnerabilidade geneticamente determinadas, certas situações contribuem para a eclosão ou precipitação do problema.
Drauzio - Quais os fatores ambientais mais importantes?
Valentim – As evidências indicam que, nos últimos anos, cresceu a incidência desses quadros. Será que aprendemos a diagnosticá-los melhor? Pouco provável, pois algumas descrições do transtorno bipolar datam de 2500 anos atrás, época em que os termos mania e melancolia já eram empregados. Por outro lado, descrições de médicos, no início da era cristã, são idênticas às que encontramos hoje nos melhores livros de psiquiatria.Por que, então, a prevalência de uma doença tão robusta e evidente, tão antiga e bem descrita, está aumentando? Uma das possibilidades é que alguns acontecimentos e atitudes podem precipitar a ocorrência de distúrbios do humor. Hoje, estamos submetidos a uma carga maior de estresse, dormimos menos e consumimos mais substâncias lícitas e ilícitas que interferem no humor. Quer um exemplo? O uso de remédios para emagrecer ou de cafeína é mais freqüente e maior agora do que era no passado.Outro exemplo? O puerpério é uma fase em que é maior o risco de surgirem quadros de depressão e euforia. Para as mulheres, as explicações são muitas: oscilação dos hormônios, parto, nascimento do bebê. Como explicar, porém, a manifestação da doença nos maridos? Certamente, a emoção, a privação do sono, a expectativa, a atmosfera festiva do nascimento desencadeiam a crise, confirmando que a interação de fatores ambientais, constitucionais e genéticos é de extrema importância.Ninguém deve viver numa redoma, mas, se as pessoas levassem em conta que o sistema nervoso é bastante delicado e precisa ser tratado com respeito, talvez a incidência de casos de transtorno afetivo fosse menor do que é atualmente.
Drauzio – Existe relação clara entre o uso de cafeína e o transtorno bipolar?
Valentim – O uso excessivo de cafeína pode produzir convulsão e algumas pessoas ingerem, todos os dias, quantidades absurdas dessa substância. Cheguei a conhecer uma que tomava 14 litros de coca-cola num único dia e era difícil distinguir seu comportamento do de um indivíduo com transtorno bipolar.E para que as pessoas usam cafeína? Para ficarem acordadas, com mais energia e ânimo, mais alerta. Trata-se, então, de um agente externo, consumido como se fosse alimento, que estimula o humor.



No que se refere às drogas ilícitas (cocaína, crack, anfetaminas), seu uso aumenta o risco de desenvolver a primeira crise, assim como aumenta a freqüência das recorrências, que tendem a tornar-se autônomas, fenômeno já apontado na Antiguidade.

Transtorno bipolar e criatividade
Drauzio – Edgar Allan Poe, Van Gogh, Schuman, Churchill, grandes homens da história e das artes, tinham transtorno bipolar. Qual a relação entre a criatividade e essa doença?
Valentim - Interessante que essa relação entre transtorno bipolar de humor –euforia e melancolia – e criatividade já era abordada por Aristóteles que indagava (pelo menos, a pergunta é atribuída a ele) por que tantos homens ilustres da filosofia, da matemática e das artes apresentavam essa característica. De acordo com alguns depoimentos, estados depressivos favorecem a percepção de um universo que em estado normal seria impossível apreender e a euforia estimula a criatividade. No entanto, pesquisas realizadas nos últimos 20 anos, sugerem que essa hipótese não é verdadeira. Elas apontam que, na maioria dos casos, a criatividade é uma característica genética encontrada também nos parentes próximos que não são doentes . Quem estudou esse tema de forma bastante original foi Kay Jamison, uma psicóloga portadora de transtorno bipolar e uma das personalidades mais conhecidas na área. Em seu livro autobiográfico “Uma mente inquieta”, publicado há alguns anos e traduzido para o português, a autora relata que só se acertou na vida quando se deu conta do que tinha e pôde tomar medidas preventivas e de precaução, como tomar lítio, que evitassem as crises. Em outro livro, “Touched with Fire”, ainda não traduzido para o português, ela analisa a biografia de grandes líderes políticos, religiosos, militares, intelectuais e artistas e registra o que falavam e sentiam nos momentos de depressão e de euforia. Um escritor inglês, por exemplo, julgava a depressão não uma inspiração dos deuses, mas uma poeira que recobria o cérebro. Van Gogh, que se matou aos 37 anos com um tiro no peito, atravessava um período de extrema melancolia quando pintou seu último quadro – corvos num campo de trigo.
No verão daquele mesmo ano, atravessando uma fase de grande euforia, o tema de um quadro psicodélico é uma fantástica noite estrelada.
Diante das possibilidades de tratamento que existem hoje, teria sido oferecido a Van Gogh, no mínimo, o direito de optar se desejava continuar pintando obras-primas nos estados de euforia e depressão ou se preferia tomar lítio, acalmar as crises e não correr o risco de morrer precocemente.
Drauzio – Que opções você me ofereceria se, na situação de Van Gogh, eu preferisse continuar pintando quadros magníficos apesar dos inconvenientes das crises a ser tratado e perder a inspiração?
Valentim – Eu lhe ofereceria minha amizade e compaixão. Foi o que fez o dr. Gachet, grande pintor e médico de Van Gogh, que só contava com Digitallis para cuidar do amigo. Dizem até que Van Gogh usou tanto o amarelo em suas obras porque tomou esse remédio em demasia.Vale considerar que o dr. Gachet não tinha outra opção de tratamento naquela época e o resultado foi a perda de um grande gênio. Hoje, no entanto, ele poderia propor várias alternativas de tratamento. Será que Van Gogh escolheria continuar pintando no estado psicótico que o levou a cortar uma orelha e a dar um tiro no peito, ou preferiria pintar em estado normal, controlando formas e pincel do jeito maravilhoso que sabia fazer? Para tanto, bastava que concordasse em tomar lítio. Talvez nas primeiras semanas, até acertar a dosagem adequada para seu organismo, seu desempenho em alguma área caísse um pouco, mas o risco de suicídio ficaria sete vezes menor com o tratamento.
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Entrevista na íntegra no site: www.drauziovarella.ig.com.br
 

O que é TBH (Transtorno Bipolar de Humor)

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Olá Pessoal.
Conforme prometido, fiz uma busca pela internet e achei alguns artigos e alguns site ótimos sobre TBH.
Vamos começar com um artigo sem caratér científico, mas muito rico ...
~*~
"Neste artigo trago a descrição da sintomatologia do Transtorno Bipolar do Humor. Como não sou profissional fiz uma compilação de vários artigos médicos encontrados em sites dedicados ao Transtorno. Procurei redigir em uma linguagem de fácil compreensão para que pessoas que tenham dúvida sobre o seu estado se identifique, ou não, com mais facilidade. Este é um Transtorno complexo e de difícil diagnóstico que depende muito do portador para que o médico consiga identificá-lo, pois se a pessoa for em médicos diferentes, em estados diferentes (perdoem-me o vício de linguagem), vai ter dois diagnósticos errados, quando na verdade sofre das duas disfunções ao mesmo tempo (hipomania/mania e depressão). Isto traz muito sofrimento para o paciente e seus familiares por causa dos medicamentos que são receitados e não ajudam, ao contrário, podem provocar crises de mania ou depressão visto que são direcionados apenas para um ou outro dos sintomas.
Milhões de pessoas no mundo sofrem de Transtorno Bipolar do Humor, elas costumavam ser chamadas de maníacas depressivas e até alguns anos atrás eram tratadas somente através de internações. Hoje esta realidade mudou, o tratamento é ambulatorial e somente em casos extremos a internação é necessária (Nestes casos, quando o paciente não está sob tratamento ou quando está e não o segue).
Para uma pessoa com Transtorno Bipolar do Humor, a vida pode ser como uma montanha russa emocional. Um dia seu humor está baixo e ele se sente triste, mas não triste no sentido normal da tristeza comum. Ele fica deprimido, realmente parece que seu sofrimento não terá fim. Então, seu humor começa realmente a subir e aumentar e ele se sente o máximo, com idéias maravilhosas, capaz de resolver qualquer problema do mundo. De repente, do nada, novamente a tristeza volta.
Pois é nossa vida não é fácil e matérias sensacionalistas que rotulam a bipolaridade como “doença da moda” dificultam mais ainda a compreensão dos amigos e parentes, minimizando o que sentimos.
A boa notícia é que há ajuda e tratamento para esses extremos humor.
Com o tratamento adequado, as pessoas com TBH podem levar uma vida normal.

O QUE É TRANTORNO BIPOLAR?
Todas as pessoas têm sentimentos de alegria e tristeza de vez em quando. Porém, depressão e euforia extrema (mania) não são sentimentos normais, são os extremos destes sentimentos. Para alguém com TBH, estes sentimentos extremos podem ser demais para serem enfrentados. Eles podem interferir na vida cotidiana e algumas vezes, podem até ser perigosos.
Em um dia a pessoa pode sentir-se tão deprimido que não consegue nem sair da cama e trabalhar pode parecer impossível.
Em outro dia ela pode sentir-se o máximo e cheia de uma energia e criatividade inesgotáveis. Ela acha que poderia fazer qualquer coisa que quisesse. Mas outras pessoas teriam opinião que o que ela está fazendo é perigoso, exagerado e fora de controle. A bipolaridade é uma doença grave. Os portadores têm graves oscilações humor. Seu humor podem oscilar de muito baixo (depressão) a muito alto (mania). O bipolar pode tomar atitudes absurdas e extremas e achar que são completamente normais.
Como é confundido com outros tipos de depressão, muitas vezes o seu diagnóstico é difícil, principalmente em virtude do preconceito do próprio paciente em relação à psiquiatria. Isto faz com que o portador passe por vários profissionais que não são familiarizados com as doenças emocionais e fique recebendo diagnósticos equivocados durante muitas vezes, a vida inteira piorando assim o problema.
O TBH é um transtorno que ainda não tem cura conhecida, mas hoje existem muitos tratamentos e profissionais especializados que fazem com que a vida de um portador de bipolaridade seja completamente normal, desde que ele siga à risca o seu tratamento e não deixe de lado a psicoterapia, pois os dois são de igual importância na vida do paciente, da mesma maneira que a insulina o é para um diabético.
Hoje um bipolar não se sente mais sozinho, pois tem inclusive a ABRATA (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) que foi criada justamente para dar apoio e orientação para nós portadores, parentes e amigos.

Tipos de episódios de humor
Existem 4 tipos principais de episódios de humor que as pessoas com TBH podem ter:
Depressão - Depressão é quando as pessoas com bipolaridade sentem-se muito triste. Às vezes, isso pode ocorrer por um longo período de tempo. Podem sequer querer sair da cama, tomar banho ou comer. Não sentem prazer nas coisas que costumavam fazer normalmente.
Mania - A mania é o outro lado do Transtorno Bipolar. A mania pode começar como uma boa sensação, quase como um "momento alegre". Às vezes ele pode fazer a pessoa se sentir muito irritada e zangada. Pessoas em episódios de mania podem fazer coisas muito arriscadas para elas ou para os outros ao seu redor.
Hipomania - Hipomania é uma forma moderada de mania. Ele pode fazer as pessoas se sentirem bem. Podem pensar que fazem as coisas melhor que as outras pessoas. Mas a "boa" fase pode mudar de hipomania para depressão rapidamente. A hipomania é diferente da mania, porque ela não interfere muito em coisas como trabalho ou relacionamento com a família. Por vezes não é sequer notado como um problema.
Estado misto de humor - É quando sentimentos de mania e depressão de intercalam rapidamente, às vezes por vários momentos até no mesmo dia. Este episódio é muito perigoso, pois o bipolar saindo de um estdo depressivo e ainda com a sensação da depressão pode ao entrar no estado maníaco agir impulsivamente e cometer suicídio.
Com todos estes tipos episódios de humor extremos, estas pessoas correm o risco de suicídio, como foi dito acima. Eu mesmo já senti isto na pele e não acreditava que esta possibilidade poderia ocorrer.Este foi talvez o fator mais importante que me fez escrever sobre bipolaridade. Saber que centenas ou milhares de pessoas sofrem deste mal e não sabem, ou não procuram ajuda para si ou para seus familiares por puro preconceito e falta de informação. O risco é muito grande e não vale à pena corrê-lo.
Causas e fatores de risco
Os cientistas ainda não sabem as causas do Transtorno Bipolar do Humor. Eles acreditam que a história familiar desempenhe um papel importante. A maioria das pessoas com TBH tem um parente com a mesma condição ou com qualquer outro distúrbio de humor. Mas a história familiar sozinha não é fator determinante da causa da bipolaridade. Ainda não se sabe ao certo quais são estes outros fatores. Abaixo eu descrevo o que se sabe atualmente sobre o Transtorno Bipolar:
O Transtorno Bipolar na maioria das vezes começa em adolescentes e adultos jovens. Mas também pode ocorrer em crianças e idosos.
Ele não tem preconceito, portanto afeta igualmente pessoas de todas as etnias, credos e orientações sexuais.
Substâncias químicas especiais no cérebro (como as endorfinas, por exemplo) podem estar envolvidas. Se os níveis dessas substâncias estão fora de equilíbrio, pode ser mais difícil para células cerebrais trabalharem como deveriam.
O Transtorno Bipolar também pode estar ligado a fatores hormonais. Especialistas notaram uma ligação entre os níveis hormonais tireoideanos e o Transtorno.
Em alguns casos, outras doenças podem desempenhar um papel importante no Transtorno Bipolar do Humor.
Bom, termino aqui este artigo e digo que ele não é definitivo, pois com a complexidade que o Transtorno envolve é certo que novas abordagens e sintomas venham complementar o que já se conhece.
Autor: Marcos do site www.obipolar.com
Nota pessoal: Marcos, agradeço pela atitude de criar um site específico sobre bipolaridade. Pode ajudar muitas pessoas. Publiquei aqui na Bolha para a divulgação do problema e para que o preconceito dimunua.